Toda época teve a sua ideia de mulher bonita. E quase toda época cobrou um preço alto por ela. Antes de falar sobre naturalidade, quero voltar no tempo e olhar com carinho para o que as mulheres já enfrentaram em nome da beleza.
Antiguidade: o olhar marcado
No Egito, olhos contornados com kohl eram sinal de status e proteção. Bonito, sim, mas alguns pigmentos levavam chumbo. A beleza já nascia ligada ao risco.
Séculos XVI e XVII: a pele de porcelana
Na Europa, a pele muito branca indicava nobreza, de quem não trabalhava ao sol. Para alcançá-la, usava-se a ceruse, uma mistura com chumbo que, com o tempo, manchava e corroía a pele, exigindo ainda mais camadas para esconder o estrago.
Século XVIII: o exagero como regra
Perucas altíssimas, pó branco, pintas desenhadas e bochechas muito coradas. Quanto mais, melhor. A naturalidade praticamente não existia como ideal.
Século XIX: o corpo apertado
Os espartilhos moldavam cinturas mínimas e comprimiam órgãos. Havia até quem usasse gotas de beladona nos olhos para dilatar as pupilas, um efeito “sedutor” que podia prejudicar a visão.
Século XX: a beleza vira indústria
Com o cinema e as revistas, os padrões passaram a mudar a cada década: a magreza dos anos 20, as curvas dos anos 50, o bronzeado intenso dos anos 80. A beleza se tornou um produto, e as mulheres, consumidoras de uma meta que nunca parava de se mover.
Hoje: o rosto do filtro
Agora o padrão cabe na tela do celular. Filtros afinam narizes, aumentam lábios e apagam qualquer textura de pele. E muita gente passou a procurar procedimentos para ficar parecida com a própria foto filtrada. O resultado é uma geração de rostos parecidos entre si.
Em todas as épocas, o padrão passou. O que ficou foram as marcas de quem tentou alcançá-lo a qualquer custo.
O que, afinal, não sai de moda
Olhando para trás, a resposta me parece clara: uma pele saudável, expressões preservadas e um rosto que continua sendo seu. Isso nunca foi tendência, e talvez por isso nunca tenha envelhecido.
É por isso que trabalho com naturalidade. Não por ser mais simples, mas porque é a única escolha que continua fazendo sentido daqui a dez, vinte anos. Realçar com harmonia, sem transformar.
Com carinho, Nicoly
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